O CD já era. Mas não confunda: o mercado de MÚSICA não pára de crescer!

16 jun

Hoje em dia, basta ser criativo para viver de música. Vale de tudo: CD em pen-drive, camiseta-CD, colar-CD, celular-CD e até Cd-de graça. E quem ganha com isso?

No ano passado, a banda californiana HEALTH colocou uma camiseta à venda nas prateleiras de CDs. Isso, uma camiseta mesmo, de algodão e empacotada como se fosse uma caixinha de CD. Comprando a camiseta, você levava um código para baixar o disco.

Ela não é a única. Fazendo parte de uma grande gravadora ou sendo uma banda independente, os artistas usam os CDs ultimamente apenas como uma isca para fãs. E os fãs, que já baixaram todas as músicas ilegal ou legalmente, querem mais e estão dispostos a pagar por isso. Querem camisetas, pen-drives personalizados, cópias autografadas, edições remasterizadas ou de luxo, jaquetas, celulares, etc. E, claro, eles querem SHOWS.


Enquanto a venda de CDs não pára de despencar, esse mercado “de música” cresce a cada minuto! Em 2007, a revista Veja já publicava uma matéria sobre bandas que estavam sobrevivendo – em comum acordo com suas gravadoras – de “merchan”. O Skank, por exemplo, chegou a vender, na época, 50.000 celulares que traziam na memória o novo álbum da banda!

Inicialmente, as gravadoras não tinham qualquer participação nesse ganho “por fora”. Percebendo o erro, trataram de agir e foi aí que surgiu o tal “Contrato de 360 graus”, ainda pouco falado no Brasil, mas utilizado por quase todas as “majors” internacionais.

>> O CONTRATO DE 360 GRAUS

Muito resumidamente: nesse acordo, artista e gravadora firmam uma “parceria amiga” na qual a gravadora passa a abocanhar uma parte dos lucros dos artistas vindos de fontes distintas (de camiseta a poster). O artista, por sua vez, se beneficia de um (farto) apoio financeiro a longo prazo.

Parece justo? O blog Music Think Tank resolveu investigar. Em um post, fizeram um guia prático e muito útil aos artistas que ainda têm dúvida se devem ou não assinar um contrato como esse. Colocamos os principais pontos a seguir:

>> Por que esse tipo de contrato beneficia o artista

  • Relacionamento estável e de longo prazo com a gravadora. Financeiramente, pode ser uma grande saída e você pode usar todo o seu tempo livre compondo, criando, ensaiando, gravando, divulgando, etc.
  • Suporte financeiro para grandes e longas turnês, patrocínios e uma assessoria especializada trabalhando na divulgação.
  • Menos pressão para lançamentos de novos álbums: já que a principal fonte de renda não vem mais dos CDs, as gravadores param de pressionar o artista para que ele componha e grave sem parar. Isso dá mais espaço para que o artista sinta-se livre para criar e ousar no seu ritmo.

>> Por que esse tipo de contrato prejudica o artista:

  • Com o contrato a longo-prazo, o artista leva mais tempo para ganhar o que ganhava. Tudo será dividido, até aquela graninha extra da venda dos seus próprios badulaques. Além disso, se a gravadora ficar com uma porcentagem grande dos shows e o artista pagar seu próprio advogado, manager e custos básicos de turnê, a gravadora vai acabar ficando com mais da metade dos lucros! É importante prestar atenção nas porcentagens e calcular esses gastos extras, ou (tentar) incluir tudo no contrato.
  • Pressão de “fora”: sem esse dinheirinho dos CDs, o artista pode ser pressionado pela gravadora a fechar acordos (principalmente publicitários) com marcas que não reflitam o seu interesse. O famoso “se vender”, que 11 entre 10 bandas odeiam e criticam, mas acabam cedendo mais cedo ou mais tarde. Dica da Palco07 para a banda que se sentir lesada “moralmente” em um acordo publicitário forçado: por que não sugerir uma campanha com a participação dos fãs, onde não só a banda mas o fã-clube todo saia ganhando?

>> Para saber mais sobre esse tipo de contrato e ler o texto na íntegra:

The Musician’s Guide to the 360 Record Deal

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4 Respostas to “O CD já era. Mas não confunda: o mercado de MÚSICA não pára de crescer!”

Trackbacks/Pingbacks

  1. Evolução no Mercado de Música: é o fim da EMI como a conhecemos « PALCO07 – Inteligência de Música - 22/06/2010

    […] Em um post da semana passada, falamos como o CD há tempos deixou de ser a maior fonte de renda de um artista e da sua gravadora, mas que no entanto, o mercado relacionado ao artista e à música, crescia na mesma velocidade em que as gravadoras despencavam! […]

  2. A solução do CHROMEO: “marcas no lugar de gravadoras” « PALCO07 – Inteligência de Música - 08/09/2010

    […] O CD já era. Mas não confunda: o mercado de MÚSICA não pára de crescer! […]

  3. 10 Lições do Mundo Digital « PALCO07 – Inteligência de Música - 13/10/2010

    […] O tal contrato de 360 graus (*entenda o que é isso aqui): sim, há alguns probleminhas aqui. Mas, se você não é um Arcade Fire ou um Metric (que […]

  4. 10 Lições do Novo Mundo Digital « PALCO07 – Inteligência de Música - 13/10/2010

    […] O tal contrato de 360 graus (*entenda o que é isso aqui): sim, há alguns probleminhas aqui. Mas, se você não é um Arcade Fire ou um Metric (que […]

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