Entenda por que “as marcas são as novas gravadoras”

11 fev

Converse quer se tornar “patrona das artes” e constrói estúdio para as bandas gravarem de graça!


Geoff Cottrill, da Converse / *foto de Benjamin Lowy para o New York Times

>> A iniciativa é louvável: acredite, mas a Converse construiu no final do ano passado um estúdio em Nova York para as bandas ensaiarem de graça! O projeto começa de fato no primeiro bimestre de 2011, e segundo o jornal The New York Times, a Converse não está sozinha: “as marcas estão se tornando as novas gravadoras”.

O escritor e crítico Douglas Rushkoff disse ao jornal:

“Os artistas descobriram que a única maneira de ser ter segurança financeira é ser o queridinho de alguma corporação. Assim como os pintores faziam na época do Renascimento, quando era impossível se sustentar sem o patrocínio de um mecenas”

>> Antigamente, música e marca estavam ligadas apenas pelo fato de um comercial ser acompanhado por um trilha. Ou seja, era só uma questão de licenciamento de uma música para a venda de um produto. Não se pesquisava o público alvo e o tipo de música que ele consumia, não havia interação entre público da música em questão e a marca anunciada, não havia qualquer envolvimento entre consumidor, fã e marca.

>> Hoje em dia, as marcas oferecem às bandas os mesmos serviços que antes eram oferecidos pelos selos e gravadoras, como: dinheiro para a produção de um vídeo-clipe, marketing, publicidade e até distribuição.

>> O NY Times cita os exemplos da Red Bull e da Mountain Dew, que possuem selos próprios, e cita também os já fregueses deste blog: a Levi’s, Converse, Dr. Martens, Nike e Bacardi, que patrocinaram bandas regularmente e fizeram ações de marketing musical com novos artistas, conhecidos apenas por aqueles que lêem blogs de música. O foco no artista “não-mainstream” foi fundamental, já que uma ação desse tipo é divulgada pelos blogs e redes sociais.

>> VANTAGENS:

  • Para as marcas: o patrocínio (com envolvimento, claro) a uma banda gera identificação quase que imediata com os fãs desse artista.
  • Para as bandas: Se no passado isso criava um mal estar entre banda-fã, hoje, esse tipo de acordo com grandes marcas passou a ser lugar comum. Assinar um contrato com uma marca de refrigerante não é tão diferente de assinar com uma gravadora.

“A música está em todos os lugares e se você associá-la a uma marca, não há nada de errado com isso! Quando recebemos o convite, nem hesitamos. Se eu tivesse dito não, teria sido uma idiota.”

– diz Bethany Cosentino, vocalista da banda Best Coast  e uma das artistas que participaram da campanha da Converse – com Kid Cudi e Rostam Batmanglij do Vampire Weekend.

>> Converse Rubber Tracks: esse é o nome do estúdio que a Converse construiu no bairro mais “musical/hypado/artístico” de Nova York, o Williamsburg. Vai funcionar assim: primeiro, as bandas “necessitadas e carentes de recursos para ensaios e gravações” devem fazer um registro online. Assim que a agenda estiver definida, a banda receberá as suas datas e poderá gravar o que quiser lá dentro. Os artistas ficam com todos os direitos das músicas e as músicas não serão usadas em comercias ou promoções da marca.

>> E o que a Converse vai ganhar com isso?

Geoff Cottrill, diretor de marketing da Converse (foto que abre o post), disse ao NYT que “a empresa deve esse favor aos seus consumidores tão fiéis”. Mas é claro que não se trata somente de uma “boa causa”… A Converse sabe que, ao ajudar bandas novas, a marca se firma dentro de um público segmentado, gerando vendas futuras – além de fazer com que a marca saia na frente de todas as outras interessadas nesse tipo de consumidor. Ele explica:

“Pense em uma rua sem saída com quatro garagens, e uma banda dentro de cada uma delas. Todas as grandes marcas estão nesta mesma rua, esperando as portas dessas garagens se abrirem para que então, possam abordar as bandas, prometendo a fama. Eu arrisco dizer que enquanto essas marcas esperam do lado de fora da garagem, dentro delas, as bandas já estão calçando nosso produto”

>> Você já pode dar uma espiada no estúdio RUBBER TRACKS aqui:

>> Uma agência de marketing & mídia de Nova York, a Cornerstone, irá tocar o projeto do novo estúdio para a Converse. E disso eles entendem. A Cornerstone já gerencia o selo Green Label, da marca Mountain Dew, que lança MP3 gratuitos de bandas independentes. O seu fundador, Jon Cohen, é dono da revista The Fader e também do selo da revista. “Hoje uma marca tem o poder de lançar um artista”, diz.

>> Quais os reflexos desse tipo de acordo na carreira de uma banda?

Do NY Times: “A longo prazo, ainda não sabemos. Artistas e empresários dizem que os acordos oferecidos por marcas são mais justos e mais vantajosos que aqueles oferecidos pelas gravadoras. Atualmente, as gravadoras pedem que os artistas assinem o contrato-360″, que permite que a gravadora tenha direito a uma porcentagem de todo o dinheiro que a banda faça: da venda do ingresso ao boné na saída do show, por exemplo. Por outro lado, “a maioria das marcas oferece apenas um contrato a curto prazo, com poucos laços”.

Já falamos aqui sobre o exemplo da dupla CHROMEO. Quando eles lançaram o single “Night by Night” pela Green Label Sound, a Mountain Dew pagou pelo vídeo, remixes e publicidade, e a banda saiu do contrato com todos os direitos autorais preservados. O NY Times lembra que na época, a banda foi acusada por alguns fãs de ter “se vendido”. Mas a dupla disse ao jornal que:

“assinar um contrato-360 com uma gravadora pode ser mais ‘se vender’ que assinar uma colaboração com uma marca, que vai te deixar no controle total da criação e ainda distribuir a música de graça aos seus fãs”

>> Para concluir, Cottrill diz que o sucesso a longo prazo dos estúdios Rubber Tracks “não vai depender do sucesso (ou falta de) das bandas que gravem por lá, e sim do quanto essas bandas vão ser gratas à Converse“. Ele continua:

“Digamos que nos próximos cinco anos, mil bandas passem por lá e UMA delas se torne o próximo Radiohead. Todas as marcas vão se oferecer para patrocinar suas turnês. Mas as outros 999 bandas que não chegaram lá, aquelas que vão acabar sendo esquecidas, nunca esquecerão da gente”

>> LINKS:

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