A “Escola do Rock” da Kate Nash: clap clap clap

21 mar

Cansada de ouvir cantoras pop que não sabem compor, ou de conhecer meninas que acham que para ser famosa basta rebolar, Kate Nash resolveu abrir a sua própria escola. Do rock.

Em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, a cantora Kate Nash disse ter ficado chocada quando percebeu que da nova safra de cantoras pop. poucas realmente compunham.

“No ano passado, logo que meu segundo álbum foi lançado, fiquei me perguntando porque há tantas cantoras jovens, mas poucas compositoras de fato. Descobri que, de todos os compositores que recebem dinheiro do PRS*, apenas 14% são mulheres!” (*o ECAD local)

Ela completa:

“Isso me deixou muito triste, insegura e com raiva. E então, resolvi fazer algo a respeito.”

E esse “algo a respeito” é o Kate Nash Rock ‘N Roll for Girls After School Music Club — resumindo: Escola de Rock da Kate Nash Para Meninas. Ufa. A ideia da “escola da Kate” é incentivar as escolas a abrirem cursos extra-curriculares de música, para meninas. A inspiração não foi o filme School of Rock, e sim os acampamentos de rock americanos. Um deles, o Rock Camp for Girls, tem como presidente a Kathleen Hanna, do grupo de riot grrrl Bikini Kill.

A partir deste mês e durante suas férias da turnê, Kate Nash vai visitar cinco escolas para meninas. Ela vai fazer um pocket show, exibir um filme com apresentações ao vivo de bandas de meninas e tirar todas as dúvidas que as escolas possam ter sobre o projeto. Vai falar também sobre Joan Jett, Björk e Patti Smith, claro, seus ídolos.

Para isso, a cantora se uniu à ONG americana Music Unites e conseguiu apoio e patrocínio de uma cooperativa. Compositoras famosas estarão na lista de “palestrantes” voluntárias. Mesmo sabendo que a iniciativa vai levar tempo e dinheiro, Nash promete usar todo o seu tempo de folga para divulgá-lo: “Conheço tantas meninas que querem se envolver com música e penso ‘então por que você não está criando?'”

Abaixo, trechos da palestra de Kate Nash em Nova York, na comemoração do Mês da Educação Musical nos EUA.

No vídeo, Nash explica que algumas crianças acreditam que não são inteligentes simplesmente porque não tiram notas boas na escola. Ela insiste que essa falta de encorajamento faz com que pequenos poetas desistam antes mesmo de tentar.

“Você não precisa tirar notas boas para ser inteligente. E não precisa ter boas notas na escola para ser um bom compositor”.

>> Assista:

“Quero provar a essas meninas que para ser uma pop star, elas não precisam usar o sexo e o corpo. Ser uma artista mulher vai muito além disso!”

(*via The Guardian)

>> UPDATE: Enquanto isso, em Sorocaba

Nem bem publicamos este post, recebemos um email de Sorocaba sobre um projeto semelhante na cidade (viva o twitter!).

Adoramos saber que lá existe a “Oficina de Guitarra para Meninas” (foto acima), realizada e idealizada pela guitarrista Flávia Biggs, desde 2005. Naquele ano, Flávia participou do Rock ‘N Roll Camp for Girls, nos EUA, um dos acampamentos de rock para meninas que serviram de inspiração para o projeto da Kate Nash! Sobre essa experiência, ela diz:

“É um trabalho maravilhoso, já realizado há anos. Trata-se de um acampamento de rock de férias voltado para meninas. Lá, elas aprendem guitarra, baixo, bateria, teclado e voz, além de participarem de workshops de fanzine, entre outros. Inspirada nesse encontro resolvi fazer algo do tipo por aqui”.

Flávia e suas riot little grrrls

Na “escolinha da Flávia” são duas horas de oficina, e a intenção é desenvolver as noções básicas de guitarra – cifras, amplificadores, diferenças entre timbres, etc. O grupo então, cria e toca uma composição própria no final do workshop.

“É para quem não sabe nada. É mais uma introdução, uma quebra de gelo, saber como que liga, como que pluga, aumenta volume, abaixa volume… O objetivo é que saiam tocando uma música”

Flávia é professora de Sociologia pela rede estadual e acredita que o ensino de um instrumento como a guitarra, para as meninas, “fundamenta-se em uma perspectiva de empoderamento feminino”. Ela completa: “É uma idéia que nasceu para encorajar meninas a desenvolverem plenamente todas suas potencialidades da vida através da música”. O projeto é totalmente voluntário e não é cobrado nada dos alunos.

>> UPDATE 2:

Segundo Fabrício Vianna, que nos enviou o email, a “Flávia leva nas costas o workshop. Ela teve que defender a escolinha quando a prefeitura barrou o projeto na LinC (Secretaria de Cultura) por entender que ‘mulher não gosta de guitarra e que guitarra não é pra menina’. ABSURDO”.

Parabéns pela iniciativa, Flávia!

Se vocês souberem de outros projetos como este, podem mandar para a Palco07! Para mais informações sobre o projeto de Sorocaba, visite a página do Facebook linkada abaixo.

(*as fotos acima são do Facebook da Flávia Biggs)

>> LINKS:

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