Unir-se a uma marca faz uma banda perder a credibilidade?

11 abr

A relação entra bandas e marcas pode ir muito além do patrocínio. Muitos artistas querem viabilizar projetos que não seriam bancados por suas gravadoras. Em entrevista, o empresário da banda OK GO explica como o grupo pulou dos vídeos independentes no YouTube para a parceria com a marca Range Rover.

Haters Gonna Hate. Enquanto houver patrocínio marca -> banda, haverá alguém reclamando que tal banda “se vendeu”. O que muita gente ainda não percebeu é que não é só dinheiro que está em jogo nessa “comunhão de bens”. Antigamente, era cada um no seu quadrado: as gravadoras ficavam felizes em investir em um disco, contanto que ele apresentasse resultados. Já as marcas, estavam satisfeitas com os artistas que cediam suas músicas aos seus comerciais.

Até que as marcas perceberam que poderiam ganhar muito mais que apenas uma trilha moderninha para um filme. E as bandas, por sua vez, reconheceram que essa parceria traria uma exposição muito maior que qualquer gravadora. Atingiriam outro públicos, chegariam em outros países, colocariam em prática projetos abortados por seus selos, etc.

 

O jornal britânico The Guardian entrevistou Mike Rosenthal, empresário da banda OK GO, “aquela dos vídeos engraçadinhos no YouTube”. Será que a banda é só isso mesmo? Ou ela simplesmente soube usar a visibilidade do site para atingir um público dez/cem vezes maior que um canal como a MTV pudesse atingir?

Na matéria, o jornal lembra que OK GO fez grande parte dos seus vídeos (o mais famoso deles está acima) quando ainda estava na Capitol Records. Por ser uma banda minúscula em uma gravadora tão grande, foi o jeito que a banda achou para chamar a atenção. Deu certo. Agora independente, a banda abriu seu próprio selo (“Paracadute Recordings”) e passa mais tempo “elaborando projetos” que viajando em turnês.

>> COMO FUNCIONA: Rosenthal explica que o OK GO tem uma lista de projetos que gostaria de executar. Ao receber uma proposta de alguma marca, o empresário analisa quais projetos se encaixam com quais marcas e propõe a parceria. Ele cita a campanha da Range Rover, feita recentemente:

“A banda sempre quis fazer um desfile, como aqueles de New Orleans, no qual todo mundo participaria levando uma turma grande de amigos tocando instrumentos, marchando pela cidade. Como a Range Rover estava lançando um aplicativo para iPhone parecido com o Foursquare e o GPS, a banda decidiu unir a idéia do desfile ao tal app.”

>> O aplicativo ao qual Rosenthal se refere é este aqui, e ele permitia que um usuário fizesse o check-in como no Foursquare, e que seu caminho fosse traçado juntamente com o de outros usuários no mesmo destino. O resultado final são desenhos como esse:

>> Abaixo, você vê as fotos do “desfile” do grupo em novembro do ano passado, com sua turma de amigos e fãs. Com o “GPS interativo da Range Rover”, eles formaram o nome OK GO passeando pelas ruas de Los Angeles:


Apesar do empresário não revelar a quantas anda a situação financeira da banda, ele diz que os views do YouTube são insignifcantes em termos financeiros, mas abrem MUITAS portas: “Só queremos fazer coisas legais, mais nada. E as parcerias com marcas nos permitem isso.”

O Guardian completa:

“Hoje em dia, agências de publicidade e empresas exploram o YouTube atrás dos vídeos mais vistos para assim, terem uma ideia das tendências seguidas pelo público. Eles acabam por reproduzir essas tendências em seus anúncios, enquanto as bandas tentam ter as suas músicas nas trilhas. Então, por que não produzir algo que beneficie as duas partes, fazendo um vídeo com apoio das marcas desde o começo?”

O jornal também cita os exemplos das bandas Pomplamoose (eles participaram do comercial da Hyundai, que queria um comercial que tivesse o mesmo estilo dos vídeos da banda) e Faithless (que lançou um vídeo-clipe-propaganda para a FIAT) .

>> E os fãs? Eles ainda acham que isso seria “se vender”?

Nós da Palco07 acreditamos que não, contanto que toda campanha tenha como foco (e respeite) o fã. Temos muitos exemplos, aqui no blog principalmente, de parcerias muito bem sucedidas entre marcas e bandas. Uma marca que souber trabalhar bem a ação, tendo em mente as necessidades e gostos de seu público alvo (isto é, o fã da banda em questão), não falha. O fã, ao perceber a legitimidade da campanha, vai querer participar.

Engajamento leva ao compartilhamento espontâneo e à identificação — e por conseqüência, ao consumo. Da música e do produto.

>> PARA LER MAIS:

>> Para ver o documentário produzido pela banda OK GO durante a campanha da Range Rover:

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